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Pesquisadora do IAC palestra em Holambra sobre doença em rosas

 

 
O mofo cinzento mancha as pétalas, compromete a qualidade das rosas e causa perdas significativas à produção

O que os olhos veem podem impactar decisivamente o consumidor na hora da compra, sobretudo se os produtos a serem adquiridos forem rosas. Ninguém quer levar para casa botões amarronzados, que parecem queimados ou envelhecidos. O problema é que essa aparência que afasta o cliente é causada pelo mofo cinzento, a principal doença que acomete as rosas, principalmente as produzidas em estufas. Para complicar ainda mais a situação dos floricultores e da cadeia de produção de floristas, o fungo Botrytis cinerea, causador da doença, pode estar presente na haste no momento da colheita, no entanto sem apresentar sintomas, que irão se manifestar durante a pós-colheita – isto é, no decorrer do tempo até as rosas chegarem ao mercado. E quando o sintoma se manifesta e prejudica a qualidade das rosas, ao invés de ocuparem vasos, elas seguem direto para o lixo. Para falar sobre o manejo deste fungo, a pesquisadora, Patrícia Cia, do Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, irá palestrar na Cooperflora, em Holambra, nesta quarta-feira, 24, às 15h.
O fungo Botrytis cinerea impacta diretamente a qualidade das rosas, levando-as ao descarte, causando prejuízos ao setor. Estima-se que na região de Holambra ocorram perdas de 10% a 15% das rosas produzidas, mas este índice pode ser bastante superior, considerando as condições de cultivo e o manejo da cultura, além da grande dificuldade que existe na estimativa de perdas ocorridas na pós-colheita. Isso porque no Brasil e em outros países produtores, há poucos estudos sobre doenças em pós-colheita de flores.
Na palestra para floricultores da região, a pesquisadora do IAC irá tratar de métodos físicos e químicos que podem ser adotados para o manejo do fungo na pré e na pós-colheita, com o objetivo de retardar o desenvolvimento do mofo cinzento em rosas — as mais comercializadas no mundo e a flor de corte mais produzida para exportação. No Estado de São Paulo, a produção está concentrada na região de Holambra, que responde por cerca de 60% da produção nacional, Amparo e Atibaia.
Segundo Patrícia, a infecção dos botões de rosas se dá ainda no campo, na fase de pré-colheita. “O patógeno permanece quiescente até a pós-colheita, isto é, seu desenvolvimento fica paralisado, mas ele está presente e pode haver manifestação de sintomas durante o armazenamento e comercialização das hastes”, explica. O IAC analisa esses produtos em seu Laboratório de Tecnologia e Fisiologia Pós-Colheita, em Campinas.
No Brasil, há fungicidas registrados no Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para emprego na pré-colheita — fase em que ocorre a maior infecção pelo fungo Botrytis cinerea —, mas não há produtos registrados para a pós-colheita, o que dificulta ainda mais o controle. Em função dessa limitação no número de produtos registrados para a cultura, é crescente a demanda por pesquisas sobre métodos alternativos para o controle do mofo cinzento.
Na floricultura, as doenças de pós-colheita têm grande impacto, pois o comércio interno e, sobretudo, o externo rejeitam qualquer tipo de lesão nas rosas. O mofo cinzento é bastante comum e mundialmente distribuído em vegetais, ornamentais e frutas. “É também a doença mais importante em cultivos protegidos por estufas e a maior parte do cultivo de rosas é feita em sistema protegido”.
A pesquisadora comenta que, muitas vezes, a rosa está aparentemente saudável no momento da colheita, mas a coloração indesejável começa a despontar ao longo do tempo, até o produto chegar ao consumidor. “Muitos produtores têm dúvidas sobre o momento em que o fungo começa a se manifestar e vamos mostrar, na palestra, imagens de rosas examinadas em laboratório do IAC, em que é possível ver claramente o primeiro ponto de descoloração que indica a doença”, diz.
De acordo com a pesquisadora, o uso de refrigeração na pós-colheita das hastes, já adotada pelos produtores, contribui para atrasar o envelhecimento dos tecidos das rosas e, consequentemente, retarda o desenvolvimento do mofo. “Esse patógeno se desenvolve mais rapidamente conforme o tecido envelhece e a refrigeração adia esses processos”, diz. Segundo Patrícia, apesar de o fungo ter a capacidade de se desenvolver mesmo em condições de 0°C, a refrigeração contém seu avanço. “Os produtores já adotam a refrigeração, só não sabemos se eles têm conhecimento que esse recurso também contribui para o atraso do desenvolvimento do fungo”, comenta.
A qualidade de rosas envolve a longevidade após a colheita, considerando as caraterísticas de cor e diâmetro da flor, coloração da folhagem e comprimento da haste. Resultados de pesquisas mostram que esses aspectos podem ser influenciados pela variedade cultivada, pelo manejo na pré-colheita e também pelo uso de técnicas de conservação na pós-colheita. “No caso da infecção pelo mofo cinzento, o resultado é a redução do valor ornamental e comercial das hastes, além de acelerar a senescência da rosa”.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), no ano de 2014, o faturamento do setor foi de R$ 5,7 bilhões e para 2015 havia uma previsão de crescimento na ordem de 8%.
“O manejo pós-colheita inadequado está entre os desafios da floricultura brasileira, para isso a ciência paulista tem trabalhado e se juntado ao setor produtivo, como recomenda o governador Geraldo Alckmin”, diz o secretário de Agricultura, Arnaldo Jardim.
A Cooperflora está promovendo a aproximação da ciência com o campo, por isso o convite para a palestra do IAC, que também está formalizando um acordo de cooperação técnica para estudos em pós-colheita que contribuam para o aumento da vida de vaso dos produtos, especialmente a rosa.
 
 
SERVIÇO
Palestra – Manejo de Botrytis em rosas
Local - Cooperflora - Estrada Municipal HBR-40 Km 01, Zona Rural, 13825-000. Holambra - SP
Horário: 15 h
 
Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de imprensa – IAC
 

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